Perdão, por quê?

Por Vanessa Haetinger   |  

Um dos assuntos mais polêmicos de abordagem em sala de aula com alunos jovens e adultos é o perdão. O que confirma uma dificuldade comum a todos nós na vida cotidiana. Perdoar aquilo que consideramos pequenas ofensas ou pecadinhos parece fácil; o que complica são determinadas ofensas que sofremos que ofende nossa dignidade, nossa alma, nosso espírito ou mesmo nossa própria carne. Sabemos teoricamente que o melhor é perdoar. Entretanto, na prática o que mais se ouve é o famoso argumento: “eu sei, mas eu não consigo...”, ou ainda que “ tal crime ou tal fulano não merece perdão”.

Não entrando no mérito da justiça em relação à falta e penalização que cada indivíduo possa merecer em detrimento do dano causado, e sim, pensando o perdão como necessidade bilateral – ora precisamos oferecê-lo, ora recebê-lo. É bom saber que somos livres para sentir ou reagir da maneira que quisermos em qualquer circunstância que  se apresenta a nós. Nem tão bom pode ser, saber as conseqüências daquilo que fazemos com essa liberdade no tocante ao perdão. Vamos por nossa reflexão à luz de uma idéia, atribuída a alguns povos desde a antiguidade, conhecida como regra de ouro, a saber: “Não faça aos outros aquilo que você não quer que seja feito a você".

Talvez perdoar possa vir a ser, primeiramente, uma decisão racional, passando pela vontade, desejo e quem sabe assim, em um tempo subjetivo a cada ser humano ocorre-nos a liberação do perdão em relação ao próximo. Isto acarretará o ganho pessoal da libertação interior que retira uma espécie de trave que nos impede de prosseguir e voar livremente para deixar fluir a vida sem impedimentos, sem entulhos, tralhas e cacarecos. Lembro-me agora de uma frase pronunciada certa vez por uma das minhas jovens alunas sobre o que ocorre quando cultivamos sentimentos menores e destrutivos “é como tomarmos um copo de veneno e esperar que o outro morra”.

A vida se dá no universo das relações humanas e nós as comandamos. Na verdade, também temos de aprender a nos perdoarmos pelos foras e mancadas que podem ser chamados de erros, pessoalmente gosto de pensá-los como parte de um processo de crescimento que inclui várias tentativas – parece que esse pensamento pode se configurar uma forma de autoperdão. Dar o perdão é uma maneira de permitir ao outro ou a nós mesmos o direito de ser feliz. E, para aqueles momentos em que perdoar parece impossível, existe um aliado bastante aclamado por muitos – que é assunto de fé - a idéia do divino que é perfeita e que “opera em nós tanto o querer quanto o efetuar”.

Vanessa Haetinger

Teóloga e Pesquisadora em Filosofia Clínica.

Professora e Palestrante Motivacional e Comportamental

Contato: [email protected]

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