Sobre a brevidade da vida – Sêneca

Por Vanessa Haetinger   |  

Quero partilhar a sabedoria sobre a brevidade da vida encontrada na obra mais difundida do filósofo Lúcio Anneo Sêneca (4 a.C.? - 65 d.C. São cartas dirigidas a Paulino (cuja identidade é controversa), nas quais o sábio discorre sobre a natureza finita da vida humana. No correr das páginas,  refletimos sobre futilidades que ocupam nossa vida sem, no entanto, enriquecê-la. Escritas há quase dois mil anos, estas cartas compõem uma leitura inspiradora para todos os homens, a quem ajudam a avaliar o que é uma vida plenamente vivida.

 “Não temos exatamente uma vida curta, mas desperdiçamos uma grande parte dela. A vida se bem empregada, é suficientemente longa e nos foi dada com muita generosidade para a realização de importantes tarefas. Ao contrário, se desperdiçada no luxo e na indiferença, se nenhuma obra é concretizada, por fim, se não se respeita nenhum valor, não realizamos aquilo que deveríamos realizar, sentimos que ela realmente se esvai.”

“Perscruta a tua memória: quando atingiste um objetivo? Quantas vezes o dia transcorreu conforme o planejado? Quando usaste seu tempo contigo mesmo? Quanto mantiveste uma boa aparência, o espírito tranquilo? Quantas obras fizeste para ti com um tempo tão longo? Quantos não esbanjaram a tua vida sem que notasses o que estavas perdendo? O quanto de tua existência não foi retirado pelos sofrimentos sem necessidade, tolos contentamentos, paixões ávidas, conversas inúteis, e quão pouco te restou do que era teu? Compreenderás que morres cedo.”

“A expectativa é o maior impedimento para viver: leva-nos para o amanhã e faz com que se perca o presente. Daquilo que depende do destino, abres mão; do que depende de ti, deixas fugir. Para onde voltas, para o que te dedicas? Todas as coisas que virão jazem na incerteza: vive daqui para diante. Nunca faltarão motivos, felizes ou infelizes, para a preocupação. A vida ocorrerá através das ocupações.”

A reflexão e análise sobre o andamento de nossa própria vida só pode ser feita sob nosso particular e único ponto de vista. É uma tarefa intransferível e não devemos fugir deste enfrentamento. Seria bom nos questionarmos agora para não deixar o tempo passar, pois “todo o restante não seria vida, mas somente tempo”. É hora de tomar em nossas mãos a dádiva preciosa da vida que espera ser vivida com verdade, sem ilusões ou futilidades. Nossas respostas se encontram em nós mesmos, pois a vida , também nos presenteou com esta capacidade.


Vanessa Haetinger

Teóloga e Pesquisadora em Filosofia Clínica.

Professora e Palestrante Motivacional e Comportamental

Contato: [email protected]


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