Tribunal interno

Por Vanessa Haetinger   |  

                                               

Se formos expor opiniões, pré-conceitos e julgamentos, melhor esperar e contar até cem. Por quê? Ora, quem nos deu autoridade ou discernimento para saber o que é certo, errado ou o que é melhor para outra pessoa? Mas, é certo que todos nós, “de vez em quando”, sentamos na cadeira do juiz e estabelecemos sentenças pesadas e caprichosas em relação ao nosso próximo. E até esquecemo-nos do desconforto que é sentar na cadeira do réu.

Na verdade, este martelo de julgador nos é muito pesado. Deveríamos nos poupar mais vezes desta posição e não nos atribuirmos este fardo complicado demais para quem, na maioria das vezes, só tem como enxergar por um único ângulo de visão. É uma tarefa complicada para pessoas limitadas que não conseguem estar em todos os lugares ao mesmo tempo, portanto, não vemos, não sabemos tudo que se passa...  E cada um já traz consigo (de alguma forma) a sentença de seus próprios atos.

Sofremos quando alguém que nos importa não faz aquilo que consideramos adequado, pois temos nossas próprias convicções do que seja bom ou mal; certo ou errado. Acaba por doer demais em nós o desejo e a espera para que o outro seja ou venha agir conforme nossos critérios. Contudo, é difícil ou impossível nos colocarmos no mesmo ângulo de visão da outra pessoa para saber do seu sentimento, do seu pensamento, da sua subjetividade.

Ajuda no entendimento e aceitação pensarmos, analogamente, na diversidade da natureza que é exatamente tão necessária e complementar para sua esplendorosa manifestação de vida. “Ser diferente é normal!” Afinal, o que parece é que admiramos a diversidade e, muitas vezes, tendemos para a uniformidade... Porém, gostamos de ser compreendidos em nossas opções por mais incomuns ou estranhas que pareçam. 

 É boa a sensação - leve e suave - de quando deixamos as pessoas livres para suas escolhas, mesmo divergindo das nossas... É doce compreender, e, é amargo rejeitar! Não é por isso que vamos deixar de ter opiniões e posições bem definidas, só não precisamos impô-las aos outros com nossa agressão ou indiferença. A nós, cabe a possibilidade de amá-los! Se nosso manto de conceitos e moral é pequeno para cobrí-las, não vamos cortá-las para que caibam, mas podemos aumentar o manto.


Vanessa Haetinger

Teóloga e Pesquisadora em Filosofia Clínica.

Professora e Palestrante Motivacional e Comportamental

Contato: [email protected]

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