As luzes se apagam de verdade

Por Marcio Souza   |  

As luzes se apagam de verdade
Reprodução

Nos anos em que estive como editor de fechamento do jornal O Informativo do Vale, criei um hábito. Na última edição do ano, fazia um vídeo para postagem em redes sociais mostrando o apagar das luzes. Era um período que estava encerrando-se. Também fiz isso nas duas vezes em que sai da empresa - seria mais do que o término de um período, era a conclusão de um ciclo. Os dois ciclos em que meus caminhos levavam para a Avenida Benjamin Constant, 2197, no Bairro Florestal, foram muito produtivos. 


Trabalhei muito, muito mesmo. Briguei, na defesa de ideias, gritei, ri, até amei como nem sabia que era capaz de amar. Foram 14 anos, se somados, de jornalismo puro e simples, com o objetivo de cumprir a missão para qual estudei e pela qual vivo: informar. O nome do veículo não poderia ser mais sugestivo: O Informativo do Vale; com O maiúsculo para dar ênfase, e com o "do Vale" inseparável para mostrar o quanto considerava esta fértil região. Fui fazer notícia e acabei formando uma família; fui contar histórias das pessoas, empresas, instituições, do Vale do Taquari e acabei trazendo tudo isso para minha história. Nos 14 anos, vesti a camisa da empresa; mais do que isso: acredito que tatuei na pele a marca - um profissional em tempo integral; não sei ser diferente. 

Eis que chega o 24 de agosto. Ah, data cruel e ingrata. Se tivesse poderes para isso, a extinguiria do calendário. Vamos passar a pular do dia 23 para o 25 de agosto. Exagero? Foi neste dia que o presidente, apelidado como Pai dos Pobres, por suas medidas em benefício dos trabalhadores - Getúlio Vargas - tirou sua vida. Vargas, em 1954, deixou escrito: "saio da vida para entrar na história." Passados 67 anos, O Informativo do Vale vem a público e anuncia parada nas atividades, neste mesmo dia. Pode ser momentânea? Sim. Tomara que seja. Mas não deixa de fazer pensar que as luzes da redação já estarão apagadas, sem a necessidade de que alguém as apague. 

E na alusão a Vargas, o jornal não deixa a vida para entrar na história - ele é a história, ele contou a história nos últimos 51 anos; então, O Informativo deixa a vida para não contar mais a história. Ficará sempre na memória, claro, porque o Vale do Taquari fazia seu desjejum com O Informativo na mão. Por ora, esse hábito terá que mudar. Na mão, O Informativo não mais estará, mas do coração não há quem tire. Muito sucesso aos meus amigos/colegas! Obrigado pela parceria e compreensão! Obrigado, Oswaldo Carlos van Leuwen e Ivone Villa pela confiança!

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